Vocês imaginam o que dá para fazer em duas horas e meia com Olivier Anquier? Dá para se divertir muito... vendo-o cozinhar.
Lindo, charmoso, simpático, talentoso, elegante. Olivier é uma quase (deve alguma maluca, desequilibrada que ache algum defeito nele) unanimidade. Por ser tudo isso, além de rico e famoso, poderia agir como tantos outros que nem têm todas essas qualidades e se deixam levar pela arrogância. No entanto, desde os programas de televisão aos livros, o gostoso, ops, cozinheiro mantém a simplicidade e um genuíno respeito pelo trabalho de quem trabalha, põe a mão na massa. Enfim, este brasileiro (naturalizou-se em 2007) que puxa os erres e faz biquinho não se enreda em falsas sofisticações.
Toda essa introdução se deve ao fato de que ontem à noite fui à apresentação do show “Olivier, Fusca e fogão”. Pode parecer impossível, mas ao vivo ele é ainda mais lindo, charmoso, simpático, elegante... No palco, com a companhia de uma cozinha completa e do Fusca verde 1962 com que percorre o Brasil em busca de sabores típicos, o padeiro e cozinheiro (nunca chef, ele gosta de dizer) prende a atenção com histórias, performance culinária e muito humor. O público participa. Além de responder a perguntas variadas sobre técnicas de preparo dos pratos e ingredientes, alguns espectadores são chamados a subir ao palco para auxiliar Olivier de verdade, não tem figuração.
Quanto ao cardápio, a ideia era mostrar que dá para preparar uma refeição completa tendo como utensílio principal a frigideira, da entrada (brie à milanesa) com salada de temperos, passando pelo prato principal (filet au poivre), à sobremesa (crepe suzette). Tudo temperado com várias dicas e muito humor e Olivier sambando, com sotaque francês, é claro.
Um dos momentos de que mais gostei, foi quando o cozinheiro parou tudo, depois de mais uma manifestação antimanteiga da plateia. Cada vez que ele colocava uma generosa porção deste ingrediente que amo na frigideira, ouviam-se "ohs" e "ahs" de desaprovação. Ele parou o que estava fazendo e falou sobre a importância da manteiga na cozinha francesa e as campanhas difamatórias. Para reafirmar seu ponto de vista, Olivier comparou a forma física dos norte-americanos, que são os maiores detratores, e a dos franceses, mostrando-se como exemplo. Imaginem: aplausos para a manteiga.
Observação: a foto que usei é de divulgação, pois as que fiz do palco não ficaram boas e a minha com Olivier, em momento de tietagem explícita, guardo para o álbum de família.







